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NAQUELA HORA

Fechou os olhos e conteve a respiração por um momento, não queria perder o som da voz que ainda lhe soava no ouvido depois que o telemóvel de desligou, o brilho voltara-lhe a iluminar o rosto e sorriu como à muito tempo não sorria.
Demorou-se diante do espelho tocou aquela ruga e repuxou-a para cima , e olhou-se mais um pouco, mas de repente as lembranças voltaram, o medo turvou-lhe o olhar fazendo-a estremecer e recuar diante da sua imagem sentindo-se ridícula .
Abanou a cabeça para atirar essas lembranças para bem longe, apaga-las para sempre da sua memória , mas sentiu-se impotente quando uma lágrima escaldante caiu do seu olhar e foi despenhar-se no canto da sua boca.
O telemóvel tocou, eras tu novamente.
Ela atendeu e, a ansiedade que havia em seu coração não a denunciou e sorriu ao ouvir a tua voz, atrapalhou-se com as palavras, mas ficou a ouvir-te até que desligaste novanente.

RECORDO-TE


Vestia-se de negro desde que ficara viúva,na cabeça usava um chapéu preto de abas redondas preso por um lenço da mesma cor,que lhe tapava a fronte.

Os óculos grossos de tartaruga, seguravam umas lentes gordas de aumentar que, quase lhe encobria o rosto franzino, e enrugado, de pele cor de leite que nunca apanhara sol.

Sentava-se naquele banco tosco, feito do tronco da árvore que fora derrubada pelo vento, nalgum inverno distante e mergulhava no seu mundo de histórias e experiências únicas dentro desse universo extraordinário de recordações e fazia-me sonhar...

Seu livro preferido de capas pretas, (Bíblia) gasto de tanto ser desfolhado e seu único amigo e grande confidente, descansava no seu regaço enquanto estendia o olhar até ao infinito ausentando-se constantemente dos nossos diálogos.
Deixou a sua imagem gravada na minha memória para sempre e a saudade no meu coração.