A janela do teu PC

Desligaste, mas eu fiquei mais um pouco,debruçada na minha janela,voltei a ler tudo o que escreveste,e entre duvidas se na realidade existes ou se fui eu que te inventei, fiquei a olhar a tua janela.
Persegui detalhadamente os contornos dessa moldura, e fixei-me na imagem da tua janela, aninhei-me abraçada nos meus braços, e fingi que eram os teus. perdi-me em fantasias e delirei.
E procurei os beijos e as carícias, procurei os sons e a tua voz, procurei-te aqui e na distância, nos teus cheiros que eu não conheço, e perco-me em mim nesses devaneios,e vagueio em sonhos onde não adormeço
Olhei a tua janela mais um pouco, e despeitei cansada, de me abraçar…

SE PUDESSES

http://bitu.blogs.sapo.pt/arquivo/cores%20do%20Alentejo.JPGVer tudo o que eu vejo , se pudesses ver as cores deste quadro pincelado, nas vidraças da minha janela, se pudesses ouvir o canto dos pássaros, e o esvoaçar das borboletas nesta paisagem, com cores quentes de papoilas, em gritos de liberdade com gotas de orvalho a turvar a visão do sol, nessas cores garridas que mesclam os campos com aromas de poejos.
Se pudesses ver o que eu vejo.
Saberias porque amo tanto este Alentejo.
Se pudesses ver os tons deste arco-íris e vislumbrar o horizonte delirante dessa tela, de cores estonteantes caídos do céu em reflexos luminosos, e sentir o vento a dançar nas ramas das azinheiras,com cegonhas que ficam o ano inteiro,ouvir o trovão e ver o raio, a rasgar o céus nesta paisagem, encaixilhada nas vidraças da minha janela e sentir o cheiro ardente dessa terra a bater no meu coração.
Se tu pudesses ver, saberias porque fiquei até hoje no Alentejo.

NAQUELA HORA

Fechou os olhos e conteve a respiração por um momento, não queria perder o som da voz que ainda lhe soava no ouvido depois que o telemóvel de desligou, o brilho voltara-lhe a iluminar o rosto e sorriu como à muito tempo não sorria.
Demorou-se diante do espelho tocou aquela ruga e repuxou-a para cima , e olhou-se mais um pouco, mas de repente as lembranças voltaram, o medo turvou-lhe o olhar fazendo-a estremecer e recuar diante da sua imagem sentindo-se ridícula .
Abanou a cabeça para atirar essas lembranças para bem longe, apaga-las para sempre da sua memória , mas sentiu-se impotente quando uma lágrima escaldante caiu do seu olhar e foi despenhar-se no canto da sua boca.
O telemóvel tocou, eras tu novamente.
Ela atendeu e, a ansiedade que havia em seu coração não a denunciou e sorriu ao ouvir a tua voz, atrapalhou-se com as palavras, mas ficou a ouvir-te até que desligaste novanente.

ESTAVA TRISTE

Hoje não abri a minha janela, espreitei por de trás das vidraças só para te ver passar e seguir-te, até onde meus olhos te pudessem alcançar.
Teus passos arrastados traziam ecos de tristeza ao meu coração, fazendo-o chorar dentro do peito.
E lá ao fundo da estrada ao virar da esquina seguiste por essa estrada, veredas no meio do nada de onde sais-te e voltas-te a entrar.
Com os olhos pregados na vidraça permaneci longo tempo olhando através de uma outra janela, espreitando o escombros da destruição de uma vida, que nem sequer amas-te.

Mas o Sol beijou-me o rosto nesse instante e meu coração sorriu.

QUANDO ACORDEI

Hoje não foi um dia diferente de todos os outros, mas acordar e poder contemplar as obras das mãos de DEUS, tornou o meu dia num dia especialmente feliz.

Acordei cedo e espreitei na minha janela o dia lindo cheio de um Sol perfumado, com a passarada brincando nas árvores e os pombos esticando as asas e debicando as penas lá no cimo do telhado, e ao longe um galo cantava a alvorada anunciando o dia, já meio atrasado na hora.

Esta visão amoleceu-me o coração e os meus olhos turvaram-se de emoção,pela perfeição de todas as coisas que vi e admirei.
Fiquei a pensar na humanidade e no mundo, onde as pessoas não se conhecem mais, onde afectos se vão perdendo e o amor arrefecendo, as nações se virando umas contra as outras, os povos a entenderem-se cada vez menos, enquanto o ódio cresce e a insegurança vai aumentado em todo o lado, nos trabalhos na família ...tudo, as doenças as pestes os vícios a promiscuidade...etc.
Mas o homem chafurda no seu próprio vómito e grita viva a liberdade e volta a chafurdar nesse nhanhâ de vida que ele próprio criou e a humanidade lá vai toda tal qual carneirinhos vegetando prisioneiros , das vaidades da moda dos vícios ,copiando tudo ...porque dizem que é bom..Com estes pensamentos , quase esqueci da hora, e me despedi, daquela visão ...pensado o que é o homem para duvidar da existência de DEUS?

AO SOL

Ao Sol que nasce quando a lua se deita e as estrelas já dormem, busquei um tempo de solidão para escrever-te e dizer-te que a tua luz e o teu calor dão testemunho da autenticidade do criador em tempo real, quando todas as manhãs te levantas e estendes os teu raios de luz e abraças o universo e te espreguiças em torno da natureza.
Sol que aqueces o planeta e brilhas na vida de todo o mundo.
Sol que derretes o gelo e o transformas em correntes de água onde a vida abunda e se reproduz a velocidade de luz.
E nesta manhã em que te contemplei e agradeci a DEUS pelo privilegio da tua visita quando entraste pela janela do meu quarto e te esticaste no meu leito e me acordaste com teu suave e quente toque.
Espreguicei-me contigo enquanto a sombra esbatia a tua reste-a de luz, levantei sorrindo, feliz porque a teu brilho inundou meu coração que pode contemplar a obra do criador.
Depois segui-te até ao jardim e vi como acariciavas as rosas e as fazias reluzir de alegria pela tua chegada, tornado especial o brilho da cor das suas pétalas enquanto as suas folhas se desdobravam como quem recebe nos braços um ser amado, as outras flores também estendiam as suas ramas manifestando-se no prazer do teu calor.
Feliz olhei mais intensamente para o jardim e deixei-me envolver no abraço onde as rosas dançavam embaladas pela suave brisa da manhã que te acompanhava.
Depois fechei os olhos para ter contigo maior intimidade poder tocar-te desde a minha natureza e sentir-te no meu rosto em beijos suaves tal como beijavas as flores do meu jardim.
Mas eu tinha que te deixar e nesse instante nos despedimos , mas tu ainda teimaste em me acompanhar e vieste comigo até ao carro e ainda assim, correste na mesma velocidade para estares presente na entrada do meu trabalho.
Depois vi-te através das janelas e brincavas com a borboleta que poisava nas flores do jardim do hospital olhaste para mim e ofuscaste-me a visão eu sorri e baixei a persiana da janela para que não entrasses.
E quando eu saí, tu ainda lá estavas no jardim brincando com as flores espojado na relva e foi agradável o teu toque, enquanto te espreguiçavas de cansaço e seguiste-me de novo, e ainda ganhaste coragem desafiaste a velocidade do carro e seguias em frente, foste comigo ás compras, caminhaste a meu lado e quando o vento me incomodava o teu calor tornava-se mais intenso, rodeavas-me protegendo-me para que a brisa não me arrefecesse.
De repente ficaste cansado , seguias-me de vagarzinho escondendo-te para que eu não visse, como teimavas em não ouvir o sono a chamar por ti e resistias...e desaparecias por entre as nuvens e voltavas a olhar-me lá do alto cada vez mais cansado desfalecias na paisagem e tua luz teimava em ficar comigo mas noite ia-te envolvendo e tu caías no teu leito completamente adormecido .
Boa noite meu amigo,vemo-nos amanhã...