QUASE CONSEGUIAS SER VIÚVO .

Já tinhas sido casado e divorciado, só te faltava enviuvar mas ela não acreditava nessa conversa, mas diante do teclado com os olhos fixos na página do computador ela ainda sente pavor e treme ao lembrar-se das tentativas que fizeste com torturas e tantas maldades

Ela que te deu tudo sem limites, amor, alegria, fez-te asas de sucessos, adornou-te com todos os afectos, ofereceu-te amizades que nunca tinhas tido e levantou o teu nome até ao alto para que voasses e fosses a estrela brilhante na sua vida

E convencida que era feliz, descobria nas garrafas de álcool que deixavas vazias a grande mentira em que tinhas transformado a sua vida, fazendo-a sentir-se culpa dos pensamentos que não tinha e das coisas que não fazia

Rejeitaste-a e recusaste-lhe beijos, negaste-lhe abraços e com palavras cruéis a humilhavas enquanto fugias para que ela não te tocasse, anulaste-lhe todos os seus sonhos, não a deixas-te ser mãe, mas ela cuidou e amou filhos que eram teus.

Ela engoliu as lágrimas com vergonha, solidão, medo e sem a família dela por perto, tu fazias proezas com o dinheiro que não era teu, e quando dormias ela te ouvia chamar em sonhos o nome que não era o seu.

E as cartas que encontrou, onde escreves frases de amor e trocas beijos, sonhos e lhe elogias a pele enrugada da barriga e enalteces os peitos dessa outra mulher que deitavas na sua cama, nas noites em que ela trabalhava.

Quase a mataste e tiraste-lhe tudo, mas DEUS viu o que lhe fizeste e ela crê na justiça divina.

NESSE DIA

O sol brilhante que entrava pela janela, fazia resplandecer o seu rosto enrugado acentuando os reflexos dos seus cabelos cinzentos, espalhados pela almofada da sua cama.
Parei esbaforida na porta do quarto, e contemplei-a quando no seu olhar, o esboço de um sorriso lhe iluminou o rosto ao ver-me chegar. Em silêncio trocamos um olhar cumplicidade de afectos e segredos que nos unia desde o seu ventre e sorri-lhe num beijo demorado em seu rosto.
Sentei-me junto dela e aconcheguei-me no seu braço ainda tão perfumado de amor, acompanhei os seus olhos até as árvores que se avistavam através da janela, onde o vento se baloiçava nas ramas e os pássaros cantavam nesse sol gelado de Inverno.
Ouvia-lhe o bater do coração e estremeci com o seu respirar ofegante enquanto seus lábios escaldantes tocavam a minha mão com um beijo.
Sufoquei um grito escondido na minha garganta e desmoronou em mim a coragem de a ver partir nesse dia e nesse ultimo beijo.
Dia 30 de Dezembro de 1983,
Deixas-te em mim tantas marcas do teu amor e saudades

A NOITE

Estava fria e esplêndida toda enfeitada de estrelas mais brilhantes na sua despedida, o vento soprava desvairado, brincando nas ruas do meu bairro, esvoaçando ao meu redor,agarrava-me fazia-me redopiar em seus braços.

O cheiro da lenha queimada, entrava-me pelas narinas, misturando-se com uma melodia alegre que saia do altifalante duma aparelhagem, ouviam-se gargalhadas e muitas vozes com ecos de portas, que se fechavam e outras que se abriam, de carros, de casas e de gente que corria.

O vento arrepiou-me com o seu abraço gelado, apressando-me a fechar a porta do carro e vaguear noutras direcção, encruzilhadas da vida, onde há choro e pranto, em sonhos desfeitos presos num desses labirintos de magoas afogadas em qualquer vicio.

A noite estava linda, vestia o seu belo manto preto pintalgado de luzes cintilantes, para a despedida e para a qual eu também estava vestida.

Tomei meu rumo e fui até à igreja, onde agradeci a DEUS,por me ter guardado e também por mais esta oportunidade de vida e poder dizer a todos os meus familiares e amigos bom ano de 2008, amai-vos e perdoai-vos uns aos outros e sejam muito felizes

A Kika e eu

Ficamos as duas debruçadas na janela a olhar para a rua ,onde não passava ninguém, eu e a gata de cor cinzenta, mesclada em tons de vários cinza, com orelhas espetadas, num focinho meigo e uns olhos atrevidos.
Mordiscava-me as mãos e fixava o seu olhar lânguido e sedutor em mim e ficava à espera para ver meus lábios sorrir e voltava a mordiscar-me e prendia-me as mãos num abraço com as suas patas leves com as unhas afiadas que cuidadosamente escondia.
Miava baixinho quase sussurrando em segredo e de repente erguia-se numa tentativa frustrada de apanhar o passarinho, que poisava nas ramas, por baixo da janela, e roçava-se em mim passeando-se com o rabo pela face, trazia-me de volta desse lugar distante e quase real,lugar de sonhos inacabados.
E ficamos a espreitar a rua, as duas a Kika eu ,na minha janela.

É NATAL


Se eu pudesse escrever todas as coisas do meu pensamento e dizer nestas palavras tudo o que sinto tudo o que penso neste momento e não ter esta saudade a apertar meu peito.

É Natal, juntam-se as familias para comemorar o nascimento de Jesus e sentirem saudades dos que já partiram e se alegrarem com os presentes e com os que estão para chegar.

É natal e a solidão aumenta no seio de muitas outras famílias onde as partidas não tem regresso os presentes já não existem e também não há chegadas

Eu vou passar o Natal em familia, na família de Jesus, e festejar o nascimento do filho de Deus que morreu por amor a uma humanidade que venera um pai natal ,comercial feito pelos homens, mais um ídolo destes novos tempos, mas que a palavra de DEUS condena, dizendo-nos que são apenas obra das mãos do homem e servem a sua própria condenação.
Jesus, é só um e o único mediador, o único entre o céu e o único que venceu a morte ressuscitando ao 3ºdia

SALMO 11
V3, Mas o nosso Deus está nos céus :faz tudo o que lhe apraz. V4, Os ídolos deles são de prata e de ouro , obra das mãos do homem. V5, Tem boca, mas não falam; tem olhos , mas não vêm. V6, tem ouvidos, mas ouvem; nariz têm mas não cheiram: V7, tem, mas não apalpam; tem pés, mas não andam; nem som algum sai da sua garganta:
V8, E tornem-se semelhantes a eles os que os fazem e todos os que neles confiam.


Feliz Natal

2008 com saúde na paz do Senhor Jesus

A janela do teu PC

Desligaste, mas eu fiquei mais um pouco,debruçada na minha janela,voltei a ler tudo o que escreveste,e entre duvidas se na realidade existes ou se fui eu que te inventei, fiquei a olhar a tua janela.
Persegui detalhadamente os contornos dessa moldura, e fixei-me na imagem da tua janela, aninhei-me abraçada nos meus braços, e fingi que eram os teus. perdi-me em fantasias e delirei.
E procurei os beijos e as carícias, procurei os sons e a tua voz, procurei-te aqui e na distância, nos teus cheiros que eu não conheço, e perco-me em mim nesses devaneios,e vagueio em sonhos onde não adormeço
Olhei a tua janela mais um pouco, e despeitei cansada, de me abraçar…