Saudade

Hoje visitei o lugar da minha janela onde há muito tempo não me via debruçada a espreitar a paisagem das minhas vivencias que fizeram historia da minha vida. Olhei com nostalgia atreves das vidraças do tempo que passou e pareceu-me que me vi ontem, a entrar no avião para voar até a Guiné-Bissau, para cumprir seis meses de voluntariado, na Maternidade do Centro Medico da Casa Emanuel e no entanto já regressei a mais de um mês a Portugal.
O cansaço ainda me faz doer o corpo, mas o coração soma todos os dias saudades das amizades e de todo um conjunto de situações emoções que experimentei dentro do campo missionário onde trabalhei, por isso deixo-me passear por entre essas vivencias debruçada no mural
dessa janela que invento e matar a saudade desse lugar longínquo onde a vida feita de nadas, me ensinaram e enriqueceram tanto
O coração dentro do meu peito acelera e uma lágrima desliza na minha face.
Lembro-me das pessoas com quem trabalhei ensinei e convivi, pessoas diferentes de lugares ainda mais distantes, e de outras nacionalidades, pessoas que me ensinaram a olhar para a vida de uma outra perspectiva e descobrir novos horizontes para sonhar.

Saudades



Aventura pela noite solitária


(Foto da Rua que vai da Praça do império ao Porto na Guiné Bissauantes da independencia )
















Esperei, mas o sono não veio ao meu encontro, deixou-me sozinha no meio da noite vagueando por entre as sombras da escuridão, nas ruas da minha saudade e onde encontrei a solidão, com o seu jeito espampanante e sonhador, envolvendo-me no seu abraço até ao acordar do dia.
Debruçadas no umbral do tempo espreitamos para lá do sonho onde começa o imaginário e voamos nessa aventura fantástica do faz de conta que tudo é lindo, que as ruas de Bissau não tem lixeiras amontoadas em toda a sua distancia e que os jardins tem flores em vez de plásticos, a cidade é um jardim com rede sanitária e que a luz ilumina todos nos seus lares.
Caminhamos juntas por essas avenidas que inventamos nessa cidade organizada com leis que  favorecem toda a gente e que vivem felizes e comendo mais que uma vez ao dia ,sem crianças descalças pelas ruas, vendendo bananas ou, amendoim, ( mankara) como lhe chamam aqui, para levarem uns quantos francos cefás, que é a moeda da Guiné Bissau. 
Conscientes, da  nossa, fantasia, nesse lugar encantado de faz de conta, regressamos ao mundo real  e aconcheguei-me ainda mais a solidão e juntas assistirmos ao nascer de mias um dia, que ao chegar , sem qualquer preocupação ,estendeu os braços para a vida que o abraçou e festejou com alegria denunciando a sua chagada.
E o meu dia também começou depois dessa noite acordada. 

AMIGA É MAIS QUE IRMÃ


Amanheceu e eu acordada, assisti ao despertar da passarada e das crianças do orfanato, que eufóricos e barulhentos se dirigiam para o refeitório, para depois irem para a escola, enquanto as portas dos quartos, aqui no lar se abriam e fechavam,  fazendo aquele barulho característico, dos portões dos quintais em Portugal e com quela anciedade que  apertra  o peito quando se sente uma saudade.
Atravessei a noite com a companhia dos motores de geradores espalhados por todo a bairro de Afia e também o chilrear de pássaros nocturnos que mais pereciam gente a gritar, quando esvoaçam por cima da minha janela e mais distante o latir de cães inquietos até de madrugada.
Meu pensamento foi por entre toda essa algazarra de sons e silêncios trazidos no ar quente que me entra pela janela, que a ventoinha ligada no máximo não consegue arrefecer. Pensei em tanta gente de quem sinto saudades, mas pensei em ti especialmente.
Percorri todos os recantos das minhas lembranças à procura do momento em que te conheci, mas esse espaço de tempo em que apareces na história da minha vida, esta retido nessa falha de memória, assim como muitos outros que não consigo lembrar, mas que importa se tu estás ai bem presente, como uma espécie de pilar que DEUS colocou na minha vida para eu não desmoronar enquanto o chão de desfazia debaixo dos meu pés.
Sem ti, eu não teria chagado aqui.
Sem essa amizade com que sempre me acarinhaste e protegeste quando eu andava a deriva pelas ondas no mar da desilusão, no deserto de afectos de quem me deveria amar, do abandono onde a distância foi conveniente para não cuidar.

Obrigada por estares presente por me acompanhares e permaneceres a meu lado como uma irmã genuína, nessa amizade pura que nos abraçou com  laços do Amor de DEUS, esse Amor que transcende todo o entendimento e uniu para sempre e pelo apoio que me dás quando eu quero voar e ir mais além de mim e parto com tranquilidade porque tu estás aí.
Sem tua ajuda eu não seria protagonista desta história de voluntariado na Guiné – Bissau, pela segunda vez, nem teria virado a página de livro que tanto te aflige quando eu releio as páginas que já estão para trás e me fazes sorrir com essa preocupação de filha que não quer ver a mãe chorar.
E quando eu escrevo para ti, tu vais escrevendo na minha história de vida uma história ainda mais linda, com palavras de coragem  de afectos e de  amizade ajudando-me a suportar os ventos e contratempos com coragem nesta minha aventura . 
São para ti todas as palavras de carinho e admiração que eu recebo na rede social do fb ou através do telemóvel ou outras redes,  porque sem a tua amizade eu não estava aqui.
Obrigada querida AMIGA  

SABIA QUE PORTUGAL VIVE NUMA DITADURA?

Encontrei este post no Facebook e axei que merecia estar aqui.....

Não acredita? Consulte os factos em baixo e acorde para a verdade que o rodeia. Ajude Portugal inteiro a acordar, partilhe, divulgue... comente, fale...
Todos os portugueses gritam a sete ventos que...
Votar é um direito
Votar é um dever
Fascismo nunca mais
Ditadura nunca mais
Democracia sempre!!!
E se os governos decidirem manter a ditadura, fingindo que é uma democracia, se eles o dizem o povo acredita!?
Não existe prisão mais eficaz, mais duradoura, e económica, que a falsa ilusão de liberdade.
Parecemos uns tontos com o cadafalso à frente, a caminhar para ele, a defender e a eleger os carrascos e a jurar a pés juntos, que não, jamais!!
A garantir que odiamos carrascos, que odiamos o cadafalso, que odiamos a ditadura ...
No entanto fazemos de conta que não vemos... que não sabemos... que não está à vista de todos na Constituição da República Portuguesa, a impotência do povo, a nulidade da vontade popular, a inércia da justiça.
A ditadura moderna não usa a violência física, é mais sofisticada, abusa da repressão, da exploração, da censura, da manipulação, e usa como ferramenta mais eficaz, os órgãos de informação, para manter o rebanho manso.

Todos deveriam saber, mas poucos sabem, que em 1974 conquistou-se a liberdade, mas em 1976, voltamos à ditadura, disfarçada.
Como e quando afastaram o povo do poder.
O Grande Golpe terá estado nos números 1 dos artigos 285 e 286, a seguir transcritos: que colocaram todo o poder na mão dos políticos e afastaram o povo, para sempre, desde 1976.
Artigo 285.º - 1. A iniciativa da revisão compete aos Deputados.
Artigo 286.º - 1. As alterações da Constituição são aprovadas por maioria de dois terços dos Deputados em efectividade de funções.
Ou seja, o voto popular foi, afastado para sempre, das revisões e das decisões constitucionais, permitindo que 2/3 dos deputados a ajeitem, como entendam conveniente, na defesa dos interesses da classe, maquilhando-os de “interesse nacional”.

O referendo e a nulidade
Aprisionado por capatazes políticos ao serviço duma monarquia bancária.
Lançando mão a mecanismos - abjectos, porém eficazes - de manipulação de massas, com destaque para o controlo dos media, a estrutura de poder em Portugal assemelha-se, demasiado, a uma cleptocracia.
O povo ainda tentou uma abrir uma brecha, no circulo cerrado e ditatorial, para ter acesso ao poder, mas eles souberam, novamente fazer dessa brecha, uma falsa cedência.
Por forte pressão popular, já depois de 1976, "os deputados concederam" aos seus eleitores - a figura do referendo.
Porém, como o referendo poderia tornar-se perigoso para o seu teatro democrático, o nº3 deste artigo reza assim
Artigo 115º da Constituição.: - "3. "O referendo só pode ter por objecto questões de relevante interesse nacional que devam ser decididas pela Assembleia da República ou pelo Governo através da aprovação de convenção internacional ou de acto legislativo."

Repare no desplante destes cleptocratas: As questões de "relevante interesse nacional" são as decididas pelos deputados ou pelo governo...

Em democracia o povo tem poder...
Ou seja, eles decidem o que estará sujeito a referendo, ou não: pois é deles a autonomia de decidir o que tem interesse nacional... ou não. Pois claro!

Por isso, um referendo como o que recentemente limitou, na Suiça, os loucos vencimentos dos gestores financeiros, seria impossível por cá. Porque, evidentemente, não tem interesse nacional, para eles. Prejudicaria as negociatas...dos amigos.

Mas todo o artigo 115 merece uma leitura atenta. Como eu o vejo, é mais uma cereja em cima do bolo da ditadura, mascarada de democracia, onde os traidores a Abril nos obrigam a sobreviver...
Que fique claro que considero traidores a Abril, também todos os que gritando diariamente contra o sistema, dele se vão - confortavelmente - "alimentando".
Será que o sistema sobreviveria se toda, a auto-apelidada, esquerda abandonasse os cómodos lugares que ocupa no parlamento?
Adaptado Deste comentário de um leitor.
As petições e a nulidade
Para não me alongar mais, leia a parte final do artigo sobre as petições, neste link. Mais uma vez o governo é quem decide quais são dignas de ser atendidas.
Agora pergunto a si, cidadão, eleitor, português, contribuinte... se você vivesse numa democracia, onde a vontade e os direitos do povo são respeitados e escutados, você
admitiria a lista de crimes que enchem a coluna ao lado direito deste blog?
Você não exigiria referendar obras inúteis que nos custam milhões, como fazem na Suiça?
Você não exigiria ser consultado sobre como e onde são gastos os seus impostos?
Você não exigiria justiça severa e rápida, para quem roubou e traiu Portugal?
Então porque não experimenta, democraticamente, fazer uso do seu poder democrático?
Bora lá??? Tem medo de descobrir a verdade?
Descobrir que não temos poder? Que não temos democracia?
Bora lá divulgar e mostrar a todos os portugueses a realidade que nos oprime.
A ilusão da liberdade é aquela que mais nos prende.

Na Cidade de Bissau


Sentada a janela do toca toca, um  transporte partilhado por pessoas e animais, apinhado de gente seguia parando aqui e ali seguia até a cidade de Bissau. Um passeio diferente de tudo o que é possível imaginar, mas divertido ao mesmo tempo.
Dirigíamos-nos ao darling um super mercado com alguma variedade de produtos, importados, com os preços mais acessíveis e compatíveis com a qualidade.
Caminhando por entre carros, vendedeiras de frutas e verduras ao longo dos passeios ou do que resta deles, pus-me a imaginar como seria a Cidade num outro tempo, aquela avenida que vai da Praça do Império até ao Porto de Bissau e achei que deveria ter sido um lugar lindo, a ver pelo separador do meio e os passeios que ladeiam as duas fachas de rodagem onde me pus a adivinhar, nesse tempo as árvores cuidadas e os jardins cheios de flores no lugar onde agora são amontoados  de sacos plástico, latas e lixo
Senti a tristeza apertar-me o coração ao lembrar-me que um dia esta país foi português.
E fui caminhando reparando nas casas, mal cuidadas, abandonadas e algumas destruídas pela guerra, ao longo dessa avenida e fui sonhando no passado da cidade de Bissau e imaginei as pessoas passeando exibindo as suas melhor roupas ou apenas caminhando até ao porto para ver chagar algum navio.
Verdadeira  nostálgica até que ouvia a voz da Geane gritando,, ( desce da casinha da árvore Rosamaria), porque atravessei a rua e nem reparei que passei mesmo na frente dum carro..

Depois, enquanto a Geane tratava dum assunto seu no banco, eu e a Elisabete descemos a rua para avistar lá à frente o Porto de Bissau, com navios atracados, contentores amontoados e uma marginal com palmeiras com um muro largo onde me sentei somente para tirar uma fotografia sem respirar dizendo para mim mesma, se isto fosse limpo e tratado poderia ser um lugar paradisíaco e no entanto é uma lixeira que cheira mal e as ervas crescem envoltas em teias de arranhas. 
Depois de fazer as compras voltei e apeteceu-me escrever o que os meus olhos fotografaram, mas prendi-me na viagem de regresso dentro do toca toca e na cor negra dos passageiros e na minha pele branca. Como sorriam para mim aqueles olhos  lindos, que resplandeciam de felicidade naquele rostinho lindo ainda na idade da inocente.