Sufocada
Quase que mofo, aqui escondida por detrás da minha janela, por não me ter apetecido abri-la, nem espreitar através dela.
Não por falta de assunto que me faça debruçar sobre ela e descrever o que se passa no meu dia a dia consciente ou inconsciente, delírios de uma loucura inconformada com as realidades da vida de muitas gentes que me adoecem os pensamentos e arrefecem o meu amor.
Não sei viver de faz de conta, nem pensar de maneira diferente.
Ou será que aprendi errados os valores que me ensinaram em criança? Ou será que passaram de moda sem que eu desse por nada?
É desconfortável ver como as pessoas tratam a vida de cada um, sem o menor respeito ou sentimentos.
É desumano olhar para as vidas que ajudamos a construir sentirmos que não fazer-mos parte delas.
É triste amar quem simplesmente nos deixa de amar, porque incomodamos.
Sufocada pelo desespero que me provocaram estas interrogações abri a janela para respirar fundo e gritar.
Poquê tanto desespero ?
Chegou-me aos ouvidos um burburinho que me faz abrir a janela e espreitar uma outra janela onde posso ver o desenrolar da novela “poder” que tem liderado as audiências nos últimos dias na cidade de Elvas e freguesias. e também por todo o lado onde existe a duvida sobre quem è realmente o presidente da autarquia de Elvas.
Debrucei-me um pouco mais na minha janela deixando que uma rajada de lembranças viesse ao meu encontro para me recordar daquele dia em que, num discurso foram utilizadas as seguintes palavras “ se fecharem a Maternidade eu demito-me”, ou quando se referiam a mim dizendo, “ela só está preocupada com o emprego “ quando eu, em conjunto com as outras funcionárias nos colocamos ao lado do Dr. Melo e Sousa tentando impedir o encerramento da Maternidade.
É verdade eu estava preocupada com o meu emprego, porque não tenho outro meio de subsistência e quase para além de, quase ter ficado no desemprego, com o encerramento do bloco de partos que era o meu local de trabalho, incomodou-me de sobremaneira as mentiras que foram usadas para convencer a população de que “nascer na Maternidade de Elvas era um perigo publico” , mentiras que hoje são o que são.
E como elvense de coração, pois é conhecida a minha paixão por esta cidade, incomoda-me, quando por alguma razão tenho de falar do presidente da minha Cidade e me fazem a pergunta ” qual deles”.
Olho além da minha janela até onde a minha imaginação, me poder levar e escuto as palavras que tem sido ditas na comunicação social ao longo desta semana assim como tudo o que tenho lido sobre o título dessa novela.
No dia da inauguração da feira do livro, na apresentação do livro, o autor referiu-se ao sr. Comendador chamando-lhe de presidente Rondão de Almeida, sem que uma única vez fosse corrigido, não gostei., ninguém gostou.
Pergunto-me se nos bastidores, entre as eleições e a vitória do Dr. Mocinha,ele terá feito algum acordo para candidatar-se apenas como testa de ferro?
Se foi sim, faz sentido o que se tem dito como por exemplo “ ele é o presidente, mas quem manda sou eu “.Ou aquela frase que li recentemente; “ nós o colocamos na Presidência da Câmara.“
E neste conflito de poder parece que o lugar de Vice-presidente não existe e a reivindicação de lugares tenha como única preocupação o lugar de presidente. E então porque não foram apresentadas as renúncias para cair o poder autárquico “presidente “ e realizarem eleições ?
É daqui desta janela de onde espreito para lá da minha fantasia que vislumbro essa realidade maldosa de cheiros putrefactos onde a mentira é a rainha que muita gente serve, abdicando de valores e compromissos para se subjugarem a uma razão sem razão para existir.
Bom dia
Por razões que a razão desconhece, há muito tempo não abro a minha
janela e nem sequer espreitei através dela o decorrer dos dias desta
ausência. Tal como o tempo o meu coração tem atravessando tempestades
sentimentais onde o amor se defende a custo dum sentimento malicioso
que tenta perturbar-me a vida.
Mas hoje aqui estou de portadas abertas e janela escancarada para a
vida dando graças a Deus por cada dia e também por me ter dado forças
para resistir e manter a fé, por depois de cada tempestade, vem sempre
a bonança cheia de sol e alegria.
E também aconteceram coisas boas, como a primeira Gala do Coração em
Elvas que se realizou no Cine teatro no dia 21 do mês de Junho, com
artistas guianenses e fado, uma fusão que foi ouvida pelo mundo
através da RDP África, como também através da Internet em linha aberta
e foi um sucesso atingindo-se os objectivos, que foi angariar roupa de
bebé e recém-nascido para a Maternidade do Centro Medico Emanuel da
Guiné-bissau, quase tonelada e meia que dará para vestir os bebés que
ali nascem durante quase e seis meses.
São esses momentos que me servem de armas contra o desamor que tem me
atormentado o coração e o pensamento e impedido de abrir a minha
janela, mas hoje com ela escancarada gritei bem alto, bom dia alegria
e dei uma abraço gigante a toda a gente que eu conheço e que se
encontra espalhada pelo mundo.
Hoje Abril
Por falta de espaço para gerir os acontecimentos que
me assaltam os sentimentos ao longo dos dias, perco a vontade de abrir a minha
janela e olhar para lá das vidraças o
mundo que me rodeia.
Mas hoje escancarei-a e debrucei-me para arejar as
ideias e deixei esvoaçar as cortinas da minha imaginação voarem tão longe que
dei por mim diante daquele dia em que a Maternidade Mariana Martins foi
encerrada.
Diante da ilusão na luta pelo seu funcionamento, na
recolha das assinaturas para um baixo assinado que não foi entregue em lado
nenhum, do protagonismo que a causa deu a algumas caras ao cocarem-se ao lado da
interessante defesa do Dr. Melo e Sousa sustentada por um testamento em que a
benemérita doava a cidade em favor da mulher, do parto e crianças.
Essa lembrança causa-me ainda algum constrangimento,
porque as mentiras e os oportunismos que envolveram todo o processo se
transformaram em terrorismo para com as funcionárias da Fundação que ficaram
durante 7 meses dentro das instalações da mesma impedidas de trabalhar.
Diante dessa lembrança do passado vejo-me
no presente onde o Hospital de Elvas se encontra sobre a ameaça de ver cumprido
o projeto iniciado com encerramento a sala dos partos da Maternidade, e que
tinha a finalidade, encerrar as urgências.
Grito em silêncio para lá da minha janela,
agoniada com malabarismo que a mentira tem feito ao logo do tempo vencendo e
convencendo o povo a calar e a perder sem reivindicar aqueles direitos conquistados
num dia de Abril.
O coração acelera com esse pensamento e
sinto uma espécie de raiva e nojo dessa gente sem escrúpulos que
durante quarenta anos destruiu a liberdade de Abril e o sonho dos portugueses.
VOLTASTE
Ai como foi bom acordar nos teus braços, sentir esse beijo quente e suave na minha pele e se não fosse o vento a baloiçar nos ramos daquela árvore eu tinha escancarado para ti, a minha janela. Mas fiquei um pouco mais ali deitada, a contemplar-te enquanto tu percorrias os contornos do meu rosto, ofuscando-me a visão com a reste-a de luz com que me acariciavas.
.
Já tinha gritado nalguns momentos o teu nome e quase desesperei com saudades do teu calor, dos teus cheiros, das tuas cores e da felicidade que me fazes sentir quando apareces. Tudo floresce ao teu redor e até as aves se alegram no céu ao sentir a tua presença.
Que bom saber que vais ficar por cá, algum tempo, que me vais acordar e fazer sorrir a cada manhã e que o cinzento vai ter luz e os teus abraços quentes vão matar esta saudade que sinto cada vez que te ausentas da minha janela, quando vais para outros lugares.
Mas quando regressas, não vens sozinho. Com pincéis de luz pintas arco-iris e flores de todas as cores em paisagens estonteantemente belas nessa tela gigante que é o meu Alentejo, e trazes contigo a primavera.
DEPOIS DO ADEUS
Parada diante da minha Janela, vejo um rosto refletido entre
mim e a paisagem por de trás da vidraça, cabelos revoltos, desgrenhados e os
olhos ainda semicerrados, inadaptados ainda à luz o dia. Sorri ao reflexo de mim
ainda desacordada,
O dia despertou-me de modo diferente, com ramos de luz de cores
mais alegres, vivas e acrescenta um pouco mais de tempo a cada amanhecer. Olhei
ara lá das vidraças, bem longe de mim, mentalmente trauteando a melodia dum
fado que me tinha ficado no ouvido e que adormecera comigo, deixei-me voar nas asas
desse poema até acordar.
O dia passa ao meu redor, com muitas novidades, acontecendo
cada coisa no seu tempo, até que me vejo sentada com as mãos sobre o teclado do
computador e os olhos presos na série televisiva “Depois do Adeus “.
Eu queria escrever sobre todas as coisas, que nos fazem
sentir alegria, mas a ideia dissipou-se de repente ao reconhecer-me nalgumas daquelas
cenas, naquela liberdade alcançada no dia 25 de abril, onde os sonhos voaram
para la das limitações que a ditadura impunha em fronteiras de escravidão, tão
diferentes, mas tão iguais às dos novos tempos.
Uma lagrima cai pela minha face e aquela sensação de
frustração aperta-me o coração mais uma vez, ao lembrar meus sonhos de menina,
mas também do sonho de muita gente que acreditou que um dia “depois do adeus”,
seriam livres.
Ficou na história a memória as ideias desses capitães de
abril que sem querer ajudaram a enriquecer mais uns quantos que ainda hoje se
sustentam à custa dum povo cada vez mais escravo e mais pobre.
O Sol que me acordou foi-se embora e o dia tornou-se cinzento,
com frio e ventos que arrastam as lagrimas caídas do céu em rajadas fortes
contra as vidraças da minha janela, qual tela onde pinto o sonho do “fado que
não cantei”.
Subscrever:
Mensagens (Atom)
