Tão bom adormecer ao som da chuva

 

E ver as gotas de água   a esmagarem-se de encontro as vidraças e escorrerem como lagrimas ate ao peitoril da janela onde se amontoavam para depois cair até ao chão.

Como foi bom matar essa saudade que me fazia sentir perdida no tempo sem as estações para que eu me pudesse apear  e sentir o chão desse inverno  que passou quente e somente preocupado  em  alcançar a primavera .

Que saudade dessa chuva gostosa que pintou de verde os campos , onde se estenderão tapetes  de mil cores em flores que a primavera vai pintar no seu tempo .

Foi tão bom ouvir as rajadas de vento com a chuva no seu alcance e vê-la entranhar-se na terra sedenta e ressequida, por esse inverno preguiçoso e desnorteado , que me fez perder no tempo e perder a estacão do frio e das chuvas e sem me aperceber já estava na estação da primavera .


Saudades

 Entrei no carro e fechei os olhos ao sentir o abraço quentinho do lugar aquecido por um sol lindo de primavera em pleno inverno. Foi um momento lindo que me fez viajar até aos lugares do meu imaginário. Ali onde guardo as lembranças de tanto que vivi nesse tempo tão curto mas tão intenso.

São saudades de ti meu amor.
saudades das nossas risadas , da tua voz e de tantas coisas que não completamos juntos.

E hoje foi mais um dia em que as tuas memórias vieram falar comigo abraçada por aquele calor que me fez lembrar, quando me envolvias nos teus braços, tão meigos e cheios de amos.

Tenho saudades de ti meu amor

EU

 Debruço-me no parapeito da minha janela e olho o céu pintalgado de pontinhos cintilantes e   mergulho na existência do que sou , deixo -me perder por ai ,até onde as palavras me transportam em sonhos fantásticos  de aventuras e invento histórias lindas de viver.

Caminho por entre aquelas lembranças que me fizeram rir ou me fizeram chorar e escolho fazer dos momentos mais tristes uma história feliz e desenhar a vida com as cores daquele arco iris que abraçou um dia tão intenso, que foi tão meu e tão nosso.

E como se ganhasse asas esvoaço por entre as nuvens negras que se estendem ao longo da vida , rasgando o tempo com o sorriso que plantaste dentro de mim para vibrar em cada palavra com que tisco neste quadro,  pincelando-o de cores garridas e brilhantes ate esquecer de mim.

Regresso  há minha  janela e deixo-me adormecer sem ti

Solidão

 Há quanto tempo não escrevo na minha janela, não me debruço para la do tempo onde o meu Imaginário fazia a minha realidade mais leve e florida.

Não que me tenha perdido, mas a vida levou-me para atalhos onde me tenho  emaranhado e distanciado das vidraças da janela onde tantas vezes espreitei a vida  florescendo  ao meu redor, recuperando da grande tempestade que quase me derrubou.

O amor voltou a rondar-me , insistente ,criativo, puro e verdadeiro e o meu coração rendeu-se, ao encanto dessa tão doce sensação de ser amada .

Tanto ficou por dizer, por fazer , porque foi tão rápido , foi  tão intenso tão verdadeiro e puro nessa vida a dois que ao olhar o reflexo desse amor no meu coração  e só vejo a saudade abraçando uma enorme solidão.

Insonia

Não consigo encontrar o meu sono no meio de tanto pensamento a, atropelar a minha noite e armando confusão na minha mente.

Espreitei pela janela do meu quarto por entre a vidraça onde escorriam algumas gotas de água por causa da humidade quente que paira no ar.

Ouvi a chaga do carro da recolha do lixo a dizer que já é tarde.

Volltei a deitar-me, mas o sono não veio comigo, por isso vim conversar com o papel virtual do computador. Não tem sido fácil, 2019 e 2020, anos de muitas provas e só faltam três meses para o Natal.

Anos de perdas e confinamentos , mais esta espera, que me cansa e atormenta..

Vou à procura do sono que teima em fugir de mim




PORTO COVO

A maresia, fresca, humedeceu-me o rosto enquanto os meus pensamentos fluiam entrecortados pelo som estridente duma gaivota voando rasando sobre a minha cabeça. Avancei mais um pouco seguindo a minha cadela, Dara, no seu passeio matinal e imaginei as ondas lá em baixo , pois com o nevoeiro extenso eu só podia ouvir o som da água batendo contra as rochas e espreguiçar-se na areia. Foi maravilhoso e enebriante sentir o cheiro da maresia e as baforadas de vento envolvendo o meu rosto.

As gaivotas passeavam-se pelos jardins à beira mar, sem se importar comigo ou com a cadela e outras esvoaçam sobre os telhados emitindo sons, que pareciam perús zangados.
Nesse lugar, respirava-se sossego, uma paz tão pura, verdadeira e cristalina na sua mais profunda essência.
Entre pensamentos e com a saudade andei por entre o casario até regressar ao lugar onde pernoitei. O sol ainda não havia nascido e voltei a deitar-me até que fossem horas de acordar..