À Amizade

Enquanto me dirigia para Campo Maior ao encontro dos amigos e ex. colegas de trabalho daquela que foi outrora uma das maiores empresas do ramo alimentar “ Fabricas de Bolacha Triunfo”, hoje desaparecida do mapa empresarial, mas que fez história na minha e na vossa vida.

O bater do meu coração acelerava de ansiedade ao volante do meu carro, fazendo-me tremer de emoção. 

Vieram até Campo Maior e  acampavam   no terreno de pessoas conhecidas e esperavam-me para almoçar, leitão à moda da Bairrada.
A fileira de carros à minha frente parando e arrancando estendia-se por muitos km até à entrada da Vila que se vestiu de flores de papel para milhares de visitantes, que tal como vocês também a vieram ver.

Enquanto a fileira de carros se ia movendo lentamente diminuindo a distância entre mim e vocês, sentia como que, o accionar do motor de busca na minha memória a visionar as recordações que guardo desse passado que o tempo não conseguiu envelhecer apesar dos anos terem passado por todos nós,

Abraços e beijos cheios de cumplicidades e afectos guardados no coração de cada uma das nossas vidas pela amizade que nos une desde sempre.

Matei saudades de tudo nesse encontro, porque no tempo em que vos recordo, tenho a minha juventude e o amor daqueles que me amaram incondicionalmente e que já partiram desta vida.

Célia, obrigada por esse laço de ternura e amizade que nos mantém unidas desde o tempo em que fomos colegas de trabalho e que a distancia não conseguiu esquecer.

Guardo para sempre esse amor fraterno no meu coração.

hoje é diferente

No tempo que o tempo quase apagara a tua lembrança da minha vida,

percorri a 


distancia que me separa de ti e na escuridão da minha mente 


sussurrei o teu nome enquanto uma lágrima descia pelo meu rosto

adormecido.

Acordei e trouxe comigo o recorte dessa tela já sem cores e gasta 

pelo tempo, pedaço de vida isolada na vastidão dos meus sonhos e


onde o desejo marca no meu coração o ritmo duma nova vida…lembrei 

do tempo em que acreditei que tu e eu seríamos para sempre nós.

Onde o eu nunca existiu

Limpei a face por onde passara a lágrima que se desprendera e 


adormeci novamente. Porque eu acordo para a vida que quero ter, 


tu acordas para a vida que tens. Sorri e voltei a adormecer sem 


medo de voltar a sonhar.

Perdoa-me

Hoje, aqui neste lugar, onde me debruço para escrever o que vejo para lá do horizonte, da minha janela e onde emolduro a paisagem que vislumbro no teu olhar e medito no conteúdo da nossa ultima conversa.
Recordo as tuas palavras e a razão porque as disseste.
Não dei a importância que deveria aos teus avisos, quando me dizias para eu não seguir pelo caminho que , a minha teimosia e  minha ingenuidade escolheu trilhar, porque acreditei ser capaz de mudar o mundo, a situação, e provar-te que estavas errado.
Mas reconheci que tinhas razão e que eu me tinha enganado,  mas era  tarde demais para retroceder e mudar o percurso da minha história.
Desculpa a rebeldia do meu coração.
Essa paixão a que me entreguei, bloqueou todos os meus sentidos, dominou-me e subjugou-me até ao mais humilhante de todos momentos, enquanto as tuas palavras faziam ecos no meu coração arrependido de não ter-te dado ouvidos.
O tempo passou e perdi-te de vista, mas tenho-te presente aqui no horizonte da minha janela, onde guardo o tempo e as pessoas de todos os momentos e  onde fico a espreita de ver passar por este lugar e dizer-te, tinhas razão meu amigo....

Ola amigos


Quanto tempo sem escrever …
Não me chagava a vontade de dizer fosse o que fosse , mas hoje acordei com vontade de dizer bom dia para lá da minha janela ao abrir as cortinas e escancarar as venezianas  de par em par .
O dia esta lindo o calor desembrulha-se do ar fresco da madrugada para se espreguiçar pelos espaços livres que atravessa aquecendo os lugares mais sombrios e fazendo os ares condicionados bufarem pelo esforço que fazem ao arrefecer os lugares que ele aquece.
Deitadas no chão os meus animais de estimação …a cadela, Dara e a gata Kika refasteladas no fresco do mosaico fresco onde eu também me delicio com os pés descalços diante do Portátil, onde me debruço para desejar bom fim-de-semana a todos os que me lêem no espaço da minha janela.

Abrem-se as Cortinas do Palco


Na guitarra os primeiros acordes com a viola a acompanhar uma maravilhosa melodia, quando de repente uma voz vindo de algum lugar anunciava  que um Mercedes preto estava a arder.
De repente ficamos sem saber se, o anúncio fazia parte do espetáculo ou se era mesmo a sério e o carro de alguém ali presente estava mesmo a arder, quando quase movido por uma mola o guitarrista salta da cadeira e corre para fora do palco seguido pela viola.
Nós ficamos ali sentados estupefactos, interrogativos e pasmados com os olhos cravados na cara uns dos outros, com a plateia na nossa frente repleta de gente com as mesmas perguntas nos olhos.
O apresentador anuncia o incidente.
Alguém tinha incendiado desperdícios debaixo dum carro, que por coincidência, era do guitarrista , pediu desculpa ao público e pelos motivos que estavam a vista e que por isso ia-mos para intervalo, nesse  momento  ouviu-se a sirene dos bombeiros no auditório do Centro Cultural, fazendo-nos sentir que o caso era grave.

Uns saíram do palco e foram ver, outros ficaram ali sentados incrédulos e ao mesmo tempo especulando sobre o caso insólito, surreal dessa noite de espetáculo que ia permitir que fosse possível a realização dum outro evento a favor dos dadores de sangue do Hospital de Elvas “ULSNA”.

Que sentimento tão maldoso e sujo moveu esse coração que fez tamanha atrocidade?
Esperamos que as autoridades descubram o criminoso e que seja feita justiça de verdade para que  atos como este não tenham protagonismo numa noite  de solidariedade para com uma causa  de todos para todos, como o serviço de sangue e os seus dadores.

Mais um fim de semana que terminou

Abri os olhos quando o sol entrou pela janela do meu quarto, e veio espreguiçar-se sobre a minha cama ali mesmo a meu lado onde a kika estava deitada e acariciou o seu pelo farto.

Lá fora o vento fazia baloiçar os arbustos e as árvores dos jardins do lugar onde moro, meus olhos foram poisar no relógio despertador que estava sobre a mesinha de cabeceira que nesse instante também começou a tocar avisando que já eram 8 horas.

Nesse instante o sol que entrava pela minha janela, escondeu-se como que envergonhado por detrás duma nuvem negra e espessa de água que num instante se precipitou e transbordou no chão da minha rua fazendo-a parecer um riacho.

Fiquei ali diante da janela, por detrás da vidraça, ainda sonhando por entre essas imagens, durante algum tempo ate despertar completamente.

Do outro lado da rua defronte da minha janela os pombos arrolhavam, encolhidos tentado proteger-se da bátega de água que caía sobre eles e senti pena daqueles animais, que fazem tanto estragos nos telhados dos meus vizinhos enquanto a minha gata kika se espreguiçava  ronronando ali ao meu lado no parapeito da janela.

Olhei de novo para o relógio e afastei-me da janela e voltei a realidade.

Porque hoje é segunda-feira.