Ultimo Natal

 


Debrucei-me no parapeito da minha janela e contemplei o limoeiro que cresce debaixo dela e deixei os meus pensamentos voarem até as minhas memórias, aquelas onde tu e eu fomos tão felizes.

Tinha acabado dar os últimos retoques na mesa e Natal, quando bateram à porta e logo de seguida gargalhadas e vozes muito animadas encheram a casa. Eram os amigos que eu ainda não conhecia e por isso tinha o coração acelerado, mas foi uma apresentação bem divertida e senti me bem à vontade.

Foi um jantar divertido

Tu estavas feliz por me teres a teu lado e não paravas de me elogiar e eu ficava encabulada, mas com o coração cheio por ser o alvo da tua atenção e dos teus beijos carinhosos e constantes.

Tudo tão perfeito tão maravilhoso nesse jantar de Natal,

Foi o último Natal que passei contigo e que não se voltou a repetir porque tu partiste.

Estiveste tão pouco tempo na minha vida, mas as lembranças que tenho de ti são tão grandes que mesmo que o tempo me distancie delas eu lembro mais de ti , das nossas rizadas tão cheias de momentos únicos e cheios desse amor que transbordava no teu coração.

 A buzina dum carro trouxe-me de volta ao mundo real e ali senti as lagrimas a escorrerem me pelo rosto e sorri com saudade de ti.

 

 

MENTIR FAZ MAL

Sao muitas as vezes  que me vejo sentada com o computador na minha frente com o olhar fixo na tela em branco , as mãos paradas sobre o teclado sem que os dedos façam qualquer especie de movimento enquanto na minha mente se atropelam pensamentos sem que eu consiga abraçar um que seja e acalmar o efeito que causa fazendo bater desconfortavel o meu coração.
Mas o que mais me incomoda é a mentira.
A facilidade com que as pessoas mentem, julgam sem conhecimento , só porque alguém falou , sem se importarem  com os estragos  , sem se preocuparem , se existe familia , o que importa é dizer mal e quanto mais se julgar, inventar , não importa .
É Importante é dizer mal.
 A maldade tem um deus ao qual se serve quando se poe a lingua ao seu serviso. A lingua tem poder nas palavras que lança para fora da boca, ou elas abençoão ou amaldiçôam .
Eu escolhi o amor 
Doi-me na alma ver as pessos escravisadas pela mentira, servindo os seus intentos convencendo-se   que são felizes,fazendo crescer o vazio e a frustração nas suas vidas.

Aos Filhos que não pari mas que ajudei a nascer

Finalmente editei o meu livro, aquele que escrevi em que falei para ti  que te segurei nas tuas mãos na hora em que quiseste nascer.

Escrevi sobre o amor, o combustível que move o meu coração .





 

GRATIDÃO

 

Bom dia para mim que hoje acordei particularmente atordoada, não só pelo pouco que consegui dormir, mas também porque vi minha família de volta as suas casas depois dum tempo maravilhoso que passamos confraternizando.

Desta vez não foi uma visita relâmpago e passamos um tempo bastante harmonioso, conversamos sobre nós, mas também sobre as pessoas que ao longo dos anos fizeram parte de nossas vidas, algumas já não estão e outras que deixamos de ver há muito tempo , por circunstâncias diversas .

Terminaram as festas daminha cidade , o São Mateus 2024, com muitos espetáculos e muitos  artistas que fizeram as delicias das gentes da nossa idade, transportando-nos para aquelas idades de jovens  cheios de sonhos  e muito tempo para desfrutar com a vida inteira a nossa frente.

Divertimo-nos e aplaudimos os tempos da nossa infância e  essa amizade que nos mantem presente na vida uns dos outros, com o coração cheio de gratidão por esses momentos de partilha .

Obrigada a essa família distante mas com o coração sempre tão perto do meu, que corre em meu auxilio socorrendo-me nas mais diversas aflições deixando o meu coração cheio de gratidão.

Estiveram lá o tempo todo quando o meu querido Paixão adoeceu e num instante foi um doente terminal, foram o ombro onde desesperadamente chorei e estiveram comigo até ao fim.

Obrigada  Ermesinda e Graciano


Dia da Gravida

E como o dia de hoje assinala o dia da gravida, senti esta necessidade de dizer aqui o que me incomoda nesta altura em que as gravidas deveriam receber os melhores cuidados que lhe foi prometido em 2006 a quando do encerramento das maternidades com menos de 1500 partos ano.

Essas maternidades, encerram por não terem no seu quadro neonatalogistas, mas quando algum RN precisava de cuidados desses especialistas eram evacuadas e cuidadas até as maternidades com essa especialidade.

Mas já passados quase 20 anos e os RN continuam a ser evacuados por falta desses especialistas e as gravidas a procurarem desesperadas por uma maternidade que as receba e a parirem nas ambulâncias.

Hoje é o dia da gravida e eu lamento a mentira quem 2006 lhes pregaram e as promessas que lhes fizeram.

Lamento que a evolução voz tenha trazido um porto sem dor e quase sem humanidade.

Não beba ......

 

E beber como se não houvesse amanhã traz consequências graves
Leia-se em https://visao.pt/atualidade/sociedade/2016-05-27-De-shot-em-shot-ate-ao-alcoolismo-final/

 “Médicos  e especialistas afirmam que a situação está fora de controlo. Com a importação de tradições dos países do norte e um marketing agressivo, os jovens, em Portugal, deixaram o consumo habitual das bebidas fermentadas (vinho ou cerveja) e voltaram-se para as destiladas (vodka ou gin), com mais alto teor alcoólico. A lógica deixou de ser beber para ficar desinibido e alegre, mas sim beber até cair”.

E triste ouvir e ler essas noticias cada vez mais constantes na imprensa, é muito triste ver a juventude a anular-se por um prazer momentâneo, mas que leva à morte em vida e destruindo os seus  sonhos e projetos  e consequentemente das  família  a que pertencem.

Aprendi com a vida que quem tem essa adição não é feliz e faz sofrer até à exaustão quem esta do seu lado.

Mesmo com todos os alertas e chamadas de atenção para os perigos da dependência.

“A bebida alcoólica pode provocar diversos efeitos além da euforia, prazer e excitação. O excesso de álcool no cérebro leva a efeitos psíquicos como redução da concentração, da atenção, da memória recente e da capacidade de julgamento”.

É domingo de verão

 Mas as temperaturas baixaram muito, trazendo dificuldades e muita dor para os meus músculos e descontrolando a minha paciência e o meu auto controle, com o frio fora de tempo.

Mas vamos lá, não vou deixa que esta tempestade de circunstancias provocadas pela temperatura deite abaixo o meu dia, nem o meu pensamento apesar do descontrole, por isso não vou desanimar diante do difícil, pois eu creio que tudo posso naquele que me fortalece que é Jesus.

Sim eu creio, creio que jesus morreu por mim e ressuscitou ao terceiro dia, concluindo na Cruz um grande plano de salvação da minha e da tua alma, ao compra-la com o seu sangue e quem aceitar jesus no seu coração e confessar que Ele é o único Senhor das suas vidas, podemos alcançar vida eterna com Ele no Reino dos Ceus.

 Sim viver com jesus é tão bom porque a paz que excede todo o entendimento está em nós e há alegria  e segurança mesmo quando surgem problemas de qualquer especie, Jesus é o Senhor da minha vida.

Sim e é preciso deixar para trás muitas coisas, como deixar de criticar os outros, julgar os outros dizer mal dos outros, falar palavras torpes, mentir entre outras coisas, para que Jesus Cristo possa habitar em nós e com Ele vivermos a Fé jesuina.

A Fé que transforma vidas, que permite estar mais perto de Deus e conversar com Ele , pedir ajuda e ser atendida , como tem acontecido a partir do dia em que abri o meu coração e convidei Jesus a  entrar e fazer morada nele.
Eu amo Jesus e com Ele quero viver todos os meus dias , porque Jesus é  Vida, Caminho e luz .


Eu e a saudade

Hoje visitou-me a saudade e fui com ela recordar momentos em lugares que partilhamos juntas por esse tempo tão curto em que vivemos na aldeia Flor da Rosa, mesmo ao lado do Crato.

Começamos pela casa grande, velha, com quase 100 anos, sem tetos onde o Paixão morava sozinho há muitos anos . Sentamo-nos à lareira naquela cozinha gigante onde as tralhas se amontoavam à espera que alguém as arrumasse ou lhes desse alguma utilidade.

A saudade e eu percorremos o imenso corredor até as traseiras, por onde outrora passaram animais e carroças e depois com tempo foi perdendo espaço para caminhar por causa dos eletrodomésticos amontoados vindos duma casa velha onde teria havido uma loja tinha sido encerrada para a realização de obras e reconstruir a casa.  

Rimo-nos da queda, naquele pequeno espaço entre sacos e saquinhos e outros objetos acumulados pelo chão que fizeram meus pés tropeçar e bater com as nádegas no chão, rimo-nos muito, porque eu e a saudade nos lembramos da forma como me levantaste e me pediste desculpa agarrando-me e dançando.

Também fomos as duas até à casa em reconstrução onde as obras haviam parado, por muitas rasões, económicas e principalmente por falta de motivação mas juntos de mãos dadas conseguimos terminar a casa e morar nela até ao dia em que partiste.

Entramos no quarto e ao olhei para a saudade, vi-lhe lagrimas nos olhos, estava a chorar por causa das minhas confidências e dos meus desabafos, porque ela sabia o quanto eu chorei naquela cama sozinha por muito tempo.

Depois passeamos pelas ruas, visitando esse pequeno tempo que vivi a teu lado. Parei diante daquela porta e vi-nos lá dentro os dois de mãos dadas dizendo sim ao compromisso de casamento. Era para a vida, para sempre, até ao fim, sem imaginar que seria tão pouco o tempo.

E assim a saudade eu prometemos ficar juntas e recordar cada momento desse tempo em que tu e eu fomos nós.

 

  

 

Sinto falta

 Primeiro ficamos incrédulos depois dói e a seguir vem aquele sentimento que transforma as más recordações em lembranças menos dolorosas como aconteceu em mim depois desta ultima despedida, ficou uma espécie de vazio e fazes-me falta por não me voltares a ler.

A primeira despedida, foi muito cruel dolorosa, levei muito tempo a aceitar ver-te nos braços de outra mulher e sentir os dentes incertos a mastigar me o coração até mergulhar na pior das depressões e ficar nela durante tantos anos em que apenas sobrevivi.

Víamo-nos muitas vezes, porque partilhamos lugares e eventos, nunca mais nos falamos mas ouvia-te  e podia olhar para ti e mesmo sabendo que era indiferente a dor que atormentava o meu coração , estavas ali perto da minha visão.

Agora já não estás, não estarás mais ao alcance das minhas mensagens e sinto falta, não de ti mas da tua existência. Tudo  morreu ali a mágoa, tristeza, frustração ou outro sentimento menos bom ao despedir-me de ti para deixar apenas um lamento.     

A brisa

Sinto os dedos dormentes e não encontro palavras que digam aquilo que me impele a escrever neste momento, sinto-as a fervilhar cá dentro, atropelam-se as letras até se perderem no pensamento.

E estranhamente aqui estou, em frente ao computador, forçando o teclado a juntar letras que falem do que me aflige e que teimam em perturbar este momento. É como moinhos de vento a erguem-se com as suas velas a rodopiarem ferozmente no vento que sopra violento.

O vento chicoteia-me os sentidos, doendo a vontade do querer, no olhar a promessa, cumprir o desejo e seguir para lá dos moinhos e para lá do vento encontrar o caminho e seguir a diante sem medo até ao vale onde a brisa suava me espera com carinho.

 

Gratidão

  

     Abri a minha janela e ao sentir a brisa fresca  da manhã no meu rosto senti esta gratidão imensa  por este dia maravilhoso que Deus fez e me deu a oportunidade de viver  apesar dos obstáculos a nos  deparamos a cada dia.

    O sol inunda a rua onde moro , onde um gato de delicia fazendo a sua higiene e na arvore um pássaro saracoteia asas por debaixo da minha janela onde eu também me regalo com esta maravilhosa visão .

    O Kiko Maria juntou-se a mim dando-me marradinhas nomeu braço enquanto que no chão  a Dara Maria  se estica tenta chegar ao peitoril da janela  ao mesmo tempo que me cutuca com uma pata para que eu a ajude a subir.

    E é mais um dia que começa , mais um dia que vou somar aos dias que já vivi com um coração cheio de gratidão a Jesus   

Espetáculo Solidário por Sónia Santos



  

Ontem o Cine Teatro de Elvas, encheu-se artistas e publico  celebrando a vida a vida numa ação solidaria, para com a fadista Sónia Santos que atravessa momentos difíceis por causa dum problema na sua  saúde que a tem impossibilitado de trabalhar  no que melhor sabe fazer  e que é o seu sustento de sua casa, que é cantar

 Sónia Santos, os músicos de Elvas cantaram para ti tentando com esse espetáculo ajudar-te com as dificuldades financeiras e dizer-te que estamos aqui.

  Para  alem de seres uma filha da terra , és também um ser humano lindo que todos  amamos admiramos   e um sinto muito orgulho, porque te conheço e fizemos muita estrada juntas a cantar com a nossa mini revista.

Deus envie do céu muita saúde para ti minha querida.








Feliz ano 2024

Por detrás da minha janela espreito as muitas lembranças que o ano deixou na minha memória , feitas por momentos bons e outras bastante dolorosas pela deceção que causaram em meu coração demasiado crédulo .

E neste inicio de ano de 2024 diante da minha janela sinto um misto de tristeza e saudade por tudo o que não consegui alcançar mas acreditando sem desistir que com Jesus no camando da minha vida em em todos os meus amanhãs viverei lindos momentos.

Grata a DEUS por ter vivido mais um ano, grata pelo que aprendi, grata pela luz no final do túnel quando tudo se tornava tenebroso e medonho, grata pela lição que me fez passar de ano.

Feliz ano 2024

Elvas Cidade da Minha Paixão

 Ora vamos lá a escancarar a janela.

Hoje dia 7 de Dezembro, faz muito frio aqui no meu lindo Alentejo , mais propriamente em Elvas , uma cidade linda que fica ainda mais linda em cada véspera de natal.

Nesta altura veste-se de festa, com brilhantes e pedras reluzentes que brilham como reflexo das luzes multicores e muita algazarra numa pista de gelo improvisado onde as crianças de divertem  e deliciam os adultos.

As montras de todas as lojas estão enfeitadas arvores   e muitas luzes que se acendem a apagam causando uma sensação  de bem estar pelas ruas da cidade todas iluminadas por  luzes de multicolores  e muita alegria.

É lindo de ver aqui da minha janela a beleza da cidade da minha paixão.. 


Flor da Rosa /Crato

 Meu coração acordou triste esta manhã.

Fui a Flor da Rosa , lugar
onde vivias e depois vivemos nós dois por tão pouco tempo por causa da tua partida inesperada para o outro lado da vida.

As roseiras no jardim diante da nossa casa não floriam, mas eu pude vê-las quando as apanhavas para mim e me gritavas para que eu viesse à janela e as jogavas nas minhas mãos.

Os teus amigos e família, abraçaram-me com o corinho de sempre e foi inevitável não falar de ti e lembrar da nossa vida ali, enquanto as lagrimas iam espreitando e se precipitando nos nossos rostos, lembramos da tua alegria de viver e do amor genuíno com que tratavas os outros .

Já passaram cinco anos  e ainda me dói tanto  a tua ausência

Na casa que estavas construir e que  terminamos juntos, moram outras pessoas , mas a porta ainda tem aquela rosa feita de ferro que fizeram para a tua Rosinha e disseram-me que no interior a mantiveram igual .

Se soubesses como eu sinto a tua falta e as saudades  que senti de ti e de nós naquela lugar .  

O choro pode durar uma noite mas a alegria vem pela manhã, salmo 30;5

Entrei em casa ofegante de alegria pela liberdade que sentia, pois não mais era prisoneira daquela dependência de antidepressivos, desde 2003. Depressão em que me afundei, após traição, seguido de divórcio, seguido de encerramento do bloco de partos da maternidade Mariana Martins e de muitas, muitas outras confusões que quase culminaram com um fim.

Dei um grito de liberdade ao escancarar esta janela para agradecer a Deus o milagre que recebi , pois muitos são aqueles que perecem  em depressões  por esse mundo fora sem resolução , porque o labirinto em que nos perdemos dificilmente tem saída .

Depois os antidepressivos que nos mantem de pé e nos trazem a tona , também nos anulam a vontade , porque com eles a vida até é fácil , mas na verdade não somos nós mesmos .

As mágoas, raivas e as frustrações, continuam lá a ganhar raízes e a tomar conta do nosso ser até que não se aguenta mais ouvir as vozes em nosso cérebro transformado num autêntico campo de batalha até determinamos acabar com o sofrimento.

É tudo muito silencioso, muito sozinho, muito intenso e sem fim a vista.

Foi assim que aconteceu, ninguém sabia, ninguém se apercebia do furacão que me arrasava a vida, porque eu sorria para toda a gente, eu vestia-me bem, e maquiava-me. Também não deixei de cantar, (há quem diga que eu nessa altura até cantava muito bem). Enfim aos alhos de quem me rodeava, tudo estava bem.

Mas não estava, não estava nada estava bem.

Mas Jesus entrou na minha vida e apesar de eu continuar a conviver durante muitos anos com os antidepressivos no meu corpo, certo é que a minha vida se foi modificando e as raízes que me amarguravam e adoeciam, foram morrendo uma a uma cada vez que eu me debruçava sobre a Bíblia e aprendia com Jesus.

Comecei a sentir paz, aquela paz que excede todo o entendimento e ainda que o choro durou uma noite a alegria veio pela manhã.

A tempestade, com furacões e fortes tempestades e alguns tsunamis aconteceram numa noite que durou muitos anos, mas a alegria eu a vivi no dia em que me vi liberta dessa medição é imensa assim como a minha gratidão a Deus que me apagou o ponto final e colocou uma vírgula na minha vida.

Colocou pessoas, maravilhosas na minha vida que me apoiaram e se tem tornaram família do meu coração e que eu como se fosse de verdade. Os médicos que me acompanharam e ouviram quando eu queria falar  e também estavam ali quando eu fazia silêncios dolorosos e tristes. 

 Deus abençoe todos os que ajudaram na minha recuperação. 


Luto ,Fundação Mariana Martins.

Voltou a mim a vontade de abrir a minha janela e ver o mundo através dela,  e que mundo  diante dos meus olhos .

No inicio do outono da minha vida e depois de tantas perdas e tantas lutas vencidas, a guerra continua por ganhar nessa difícil batalha que e viver.

Hoje soube que partiu alguém que foi importante na minha vida, foi meu diretor enquanto eu funcionária da Maternidade da Fundação Mariana Martins, Dr. Pintão Antunes . Fiquei triste, mas é uma condição que, um dia nos espera a todos e para a qual o nosso coração nunca se prepara.  

Sendo esse o fim de qualquer ser que vive, não compreendo como o ser humano consegue viver como se não houvesse amanhã, pisando e repisando o seu semelhante como se lixo se tratasse, ou por interesses monetários ou simplesmente pela maldade de ver sofrimento.

Para quê fazer guerras, se  a nossa vida é uma constante luta quer sejamos pobres ou ricos , ninguém vive para sempre ou fica isento do julgamento final .

È preciso viver com consciência limpa e coração isentos de maldade 

Meus sinceros pêsames a toda a família e amigos ,porque se perdeu um grande senhor.




Vomito

 

Espreitei pela minha janela e espantei-me com o que vi para lá do real onde a ficção e a mentira se acasalam para gerar a maior das confusões e destabilizar qualquer vida onde tudo é possível naquele que é inocente.

Fiquei enojada com o cheiro nauseabundo fétido dessas bocas que se reúnem, vomitando palavras em conversas imundas sobre a vida dos outros, pois as suas são tão pobres de vida que precisam inventar causas na vida dos outros.

Recuei e fechei a janela para me livrar desse mau cheiro que alguém vomitou

E lembrei um versículo

Mateus 15

11: Não e  o que entra pela boca que contamina o homem; mas o que sai da boca, isso e o que contamina.

Quer dizer que não é o que comemos que nos faz mal , mas sim as palavras que saem da boca. Palavras negativas, palavras invejosas , palavras maldosas e mentiras, mas também é verdade que tudo o que semeares vais colher .

Disso não tenhamos duvidas e as sementeiras podem ser abundantes.   


A MINHA PRIMEIRA AVENTURA NA GUINE BISSAU


 

Guiné-Bissau

A minha 1ª aventura .

A grávida, acabara de chegar ao Centro Medico Emanuel envolta em panos que apenas lhe deixavam transparecer um olhar bonito num rosto assustado..

Acompanhava-a o marido e mais umas quantas  mulheres , sendo que algumas eram esposas, vinham vestidas  da mesma forma carregando  crianças presas com panos nas costas , com bebés ao colo e outas crianças  pela mão.

A linguagem em principio fazia-se por gestos e algumas palavras em crioulo que eu já tinha aprendido, as não fosse a rapidez com que trouxeram para me ajudar , uma guineense que trabalhava no orfanato e que conhecia  o dialeto um dos muitos, que se fala na Guiné Bissau .

Ela traduzia para grávida o que eu dizia e vice versa , e com essa ajuda foi fácil a comunicação, começado a perceber a confiança seguida pela entrega ate ficarmos conectadas.

Ora…Sem médico e sem ecografia, avaliei a grávida e deparei-me com uma apresentação pélvica, mas queria ter a certeza e esperei mais um pouco com a grávida monitorizada, com o abençoado aparelho (cardiotocógrafo), doado pela  Maternidade de Elvas.

Enquanto isso foi contatando medico… que nunca atendeu.

Ainda estávamos a instalar o equipamento doado pela Maternidade Mariana Martins de Elvas e a organizar as  salas destinadas aos partos,

Observei de novo a gravida, registando na minha mente tudo o que os meus dedos tocavam, com a certeza de que a apresentação é pélvica, “nádegas”.

 

Desencadeia-se o processo de transferência para o Grande Hospital Simão Mendes pois a cesariana não podia acontecer na Casa Emanuel .

E a aventura começa aqui

Quando cheguei a Guine , na Casa Emanuel , encontrei  duas alunas do ultimo ano de enfermagem da escola de Évora, à quase dois meses e já bastante familiarizadas com os procedimentos que envolviam uma evacuação, uma vez que elas ja o tinham feito, com as crianças que precisavam mais do que elas podiam fazer.

Começou então a azáfama de recolher tudo o que era necessário, para a cirurgia, começando a encher um saco de plástico de tudo, desde fios de sutura, lâminas de bisturi, soros, compressas e tudo o que pudemos arranjar.

 E lá fomos nós na ambulância, conduzida pelo enfermeiro Xavier que já trabalhava a cerca de 7 anos, entre o Centro Medico Emanuel e o Hospital Simão Mendes na ária dos queimados.

 

Chegamos finalmente ao fim de quase três quartos de hora, ou mais, num percurso de terra batida, que  podia ter sido feito em 10 minutos, não estivesse a estrada com buracos que as rodas da ambulância se enterravam completamente, parecendo um barco em mar alto em dias de tempestade.

 

Avistou-se a entrada do hospital e eu pensei que horror… que é isto? Um edifício tirado de algum filme terrorífico? Fiquei quase em choque mas a prioridade era outra e então foquei-me.

O marido da grávida contactou um obstetra seu conhecido que não estava de serviço, mas que já tinha feito as cesarianas das suas outras mulheres e indo na nossa frente para o ir buscar a casa.

E já estava a esperava de nos na urgência da Maternidade do Hospital Simão Mendes.

No meio da escuridão que envolvia a entrada das urgências só se viam as redes mosquiteiras estendidas, cobrindo pessoas deitadas abeira dos esgotos destapados, condutas abertas e nós indo de lanterna na mão a iluminar o chão para nos desviarmos dos buracos enquanto empurrava-mos a maca, onde transportávamos a mulher grávida, que se queixava e gritava, ora com uma contração, ora com os solavanco que quase a atiravam ao chão.

Para entrar naquilo que parecia tudo, menos uma entrada para a sala de partos. Tivemos que arrastar aparelhos estragados, macas partidas e cadeiras de rodas todas danificadas num montão de ferrugem a impedir a porta de se abrir e podermos entrar com a maca, mas os esforços coletivos de todos nós, lá entramos.

Ela foi observada pelo obstetra amigo do marido, que a esperava. Era um médico jovem, de nacionalidade Cubana que estava ali em missão pelo seu pais, para ajudar aquele povo que tem menos de nada. Observou a grávida e olhou para mim e começou a perguntar tinamos levado  o material para se puder dar a cesariana.

A enfermeira que levava o material que nos tínhamos separado, despejou o saco uma mesa, que outro medico tinha indicado começando a separar e ao mesmo tempo a meter os fios de sutura no bolso da sua farda, enquanto escrevia num papel e copiava dum folheto publicitário colado na parede o nome de mais material e  marcas de medicamentos que lhe faziam falta para  irmos comprar à farmácia e só depois é que preparavam a grávida para a cesariana.

 

A grávida ficou à espera na urgência e nós lá fomos de papel na mão e de ambulância à procura da primeira farmácia, onde compramos algum do material que faltava e ainda fomos enganados, pois pagou-se o que não trouxemos entre outras coisas que não havia, voltamos à urgência, mas tivemos que voltar de novo a outra farmácia em busca do que faltava, pois faltava o saco coletor de urina e fios de sutura que já tínhamos comprado mas não traziam agulha, ignorando queles que os que tinha no bolso.

 

Gastamos mais de duas horas e a mulher à espera a gemar com dores numa sala de passagem para uns buracos onde se viam umas camas de metal enferrujado com perneiras e dispostas ao lado umas das outras sobre um chão onde os pés das guianenses pareciam mais brancos e limpos que a sala em questão e onde partos as mulheres pariam sem anestesia, sem condições de higiene e nada.

 

Finalmente obstetra deu por completo a lista e decidiu avançar com a cesariana, passavam quase tês horas desde a hora em que ali chegamos.

 Mas aventura ainda não estava acabada e nós os protagonistas,  ainda estava-mos a meio do guião.

Voltamos a colocar a grávida dentro da ambulância e lá vamos nós aos solavancos a caminho do bloco operatório com o enfermeiro Xavier ao volante conduzindo com todo o cuidado até ao edifício onde ia ser feita a tão desejada cesariana.

Voltamos a tirar a grávida da ambulância e fomos a empurrar maca iluminando o caminho com as lanternas ate a porta do edifício e ao abri-la deparamos com dois lanços de escadas, sem elevador. Carregamos a maca com mulher gravida a pulso, sobe o olhar de alguns homens que fomos encontrando, mas que não se disponibilizaram para prestar qualquer  ajuda , ate para  segurar as portas, mas fomos nós  até ao andar superior, carregando todo o peso, e era muito peso

Finalmente na ante sala de cirurgia pedi ao obstetra para entrar e assistir a cesarina e ele  consentiu que fosse-mos as quatro para dentro, eu as duas alunas e o enfermeiro Xavier, com alegria e como não tinham assistido a nenhuma cesariana , ficaram encantados.

Então enfiamos os barretes e as mascaras. Nesse instante perguntei a um homem de cor negra que se encontrava no corredor, que fazia e de onde era, respondeu-me que era cirurgião e cubano. Concluí que a equipa era toda cubana e isso tranquilizou-me um pouco diante de tanto horror.

A mulher é anestesiada e quando adormece, o obstetra inicia a incisão com  mão precisa de quem está habituado a usar o bisturi. Usou o material que tínhamos comprado lá fora nas farmácias e algum que levamos do Centro Medico Emanuel, mas quase não chega para terminar a cirurgia, as compressas começam a ser recicladas (espremidas e usadas de novo) os fios de sutura que compramos e levamos também não estava todo em cima da mesa, mas sim no bolso do médico que reclamava que devíamos ter levado mais.

Ainda me atrevi a dizer que ele os tinha posto no bolso, mas ignorou-me por conveniência.

E de repente os meus olhos se fixavam nas mãos de cada um deles, ao mesmo tempo que  comecei a sentir picadas, nas pernas e nos pés, através da farda, desviei-me então para olhar a minha volta e vi uma nuvem de bichos pequeninos que esvoaçavam junto à luz, por cima da mesa operatória e também  nas paredes, e vi baratas a correr no chão e até grilos. De repente, as mãos da enfermeira começam a fazer uma matança aos bichinhos em cima da mesa de cirurgia. Vejo também as mãos dos cirurgiões  enxotando os bichanos que andavam a volta do local da sutura e das luvas para poisarem.

 Foi arrepiante o que os meus olhos viram.

Fecham finalmente o abdómen da mulher, que foi para o recobro onde mais tarde o enfermeiro Xavier, depois de nos deixar na Casa Emanuel voltou ao hospital Simão Mendes para ele mesmo  refazer o penso com compressas e tratamentos que ele mesmo levou da sua casa.

 Exausta depois de tantas voltas e sem jantar. Deitei-me depois de comer uma fruta, mas não consegui adormecer, pois aquele horror fez-me irar e sentir raiva.

As mãos do obstetra trabalharam bem, será bom naquilo que faz, mas deixou transparecer que tem os olhos postos no dinheiro, ele e o outro, deixando-se corromper pelo sistema daquele pais e, com relação aos fios de sutura que guardavam no bolso, pude pensar que iam usar nalguma cirurgia em que possam fazer negócio.

Aqui quem pode comprar os tratamentos é tratado, quem não tem fica ali à espera, sentado ou deitado, mas à espera da morte se  os familiares, não conseguem as coisas necessárias a tempo de fazer qualquer tratamento ou operação, porque dentro do hospital não há nada de nada, nem afetos.

Quem precisa de internamento no hospital leva consigo a roupa de cama os medicamentos e todo o que é necessário  para o tratamento no caso de internamento. Este episódio atormentou-me por muitos dias.

Depois de arrumar a maternidade com os equipamentos que vieram de Elvas d estarem dispostos e prontos a dar o seu contributo, as grávidas, daquelas famílias que não podiam pagar consultas, aqui na  Maternidade da Casa Emanuel e bem diferente, havia comida e roupa lavada e os familiares não precisavam andar pelas ruas de Bissau à procura, nas farmácias ou no mercado negro para os seus doentes internados.

Os dias  foram  passando e ao saberem que havia uma parteira na maternidade , mesmo que esta ainda não estava pronta , as gravidas dirigiam-se a ela por necessidade e por segurança e nessa noite   bateram a porta do meu quarto, mais uma vez.

Era uma das muitas noites em que eu não conseguia adormecer, o pensamento teimava em vaguear por tudo o que são lembranças com saudades de tudo e todos que estavam a  quilómetros   de mim.

chegou uma grávida, gritaram do lado de fora do meu quarto.

Procurei a lanterna e a roupa as apalpadelas, o gerador desligava durante a noite. Consegui vestir-me e la vou eu, no meio da noite de lanterna na mão ate o edifício da Maternidade onde a sombra de alguém vindo ao meu encontro me fez bater o coração assustado, mas era o guarda noturno que vinha ao meu encontro e informar me o que se passava para me ajudar a entender o dialeto que falavam. A grávida aguardava sentada numa das cadeiras do corredor acompanhada por outras mulheres.

Levei-a ate à sala de observações, que tinha sido arrumada naquele mesmo dia e  a oportunidade de testar a sua arrumação  chegou. De repente fez-se luz em todas as salas porque o gerador havia sido ligado que bom exclamei.

Assim pude ver o seu rosto com uns olhos lindos mas muito assustados. Sorri-lhe e segurei a sua mão  tranquilizando-a , mas eis que vem uma contração intensa e dolorosa. Primeiro filho dos muitos que o seu marido tem de outras mulheres . Na guine ainda que a poligamia seja proibida há uma certa cegueira conveniente para a situação das mulheres nesse pais.  

Ela ficou internada e o parto aconteceu na madrugada dessa noite

O silêncio foi o grande anfitrião durante todo o trabalho de parto. Eu tentava comunicar através dos gesto e nos íamos entendendo com dificuldade, mas eu ia fazendo o meu trabalho ate que o bebé nasceu.

A grávida não prenunciou uma única palavra, nem ou único gemido e isso não aconteceu porque eu não falava o seu dialeto, pois gritar ou gemer é universal em qualquer linguagem, mas o silêncio faz parte da cultura ou ritual.

A grávida movia a cabeça ou torcia o corpo quando as contrações se tornaram mais intensas, nem mesmo no período expulsivo se ouviu um gemido, somente  a respiração ofegante pelo esforço que fazia a expulsar o bebe.

 As mulheres aqui fazem silêncio em muitas circunstâncias que vão para além do parto.

 RN também fez o um grande silencio ao nascer, bastante deprimido baixo peso para uma gestação de termo. A apresentação da pele cheia de lamugo, as mãos e os pés com rasto liso e ainda o vernixe com o qual vinha impregnado, tinha mais a ver com um parto prematuro.

Foi com muita calma, que pus em prática os meus saberes, enquanto o meu coração batia a mil, sem ter por perto algum médico de pediatria que me pudesse apoiar, mas com a graça de DEUS o bebé chorou e fez tudo o que devia fazer naquele momento ainda que aquele silêncio de segundos me parecesse uma eternidade.

Depois do parto e das apresentações, duas das mulheres ficaram para ajudar e se revezavam nos cuidados com a mulher que acabara de ser mãe, muito lindo esse gesto da parte dessas mulheres,  que depois vi a saber que eram as duas, das quatro esposas do seu marido. As outras  ficaram com os filhos destas duas quanto a quinta vinha parir  o seu primeiro filho

O dia nascia e olhei para as minhas ajudantes , que já tinham lavado e arrumado a sala de partos , fiquei a olhar para aquela mesa e pensei  na saudade que eu sentia do cheio e da adrenalina  no tope circulando pelo meu corpo e nesse instante tinha um sorriso  lindo no rosto de uma das mulheres mesmo a meu lado tentando falar comigo  em crioulo e a tentar  imitavam os meus gestos.

Depois da noite e do meu primeiro parto na Guiné-Bissau, formou-se  uma equipa com as duas as duas  alunas de enfermagem e mais uma funcionária, que ajudou como pode e como soube, na maternidade que eu acabamos de arrumar.

Foram dias intensos depois daquele parto, muitos partos aconteceram ate que eu regressei a Portugal com a sensação de dever cumprido, mas ao mesmo tempo achando que podia ter feito muito mais. Uma coisa eu sabia que teria que voltar aquele pais de povo tao pobre mas tao lindo . 

Saudades

 


                               Sempre que abro esta janela, deslumbro com a maravilhosa paisagem cheia de recantos maravilhosos onde me perco em pensamentos delirantes cheios de amor e saudade.

Saudade de ti, do teu amor , da tua verdade e da tua inocência .

Tinhas pureza no teu olhar, doçura nas tuas palavras quando te dirigias a alguém eras doce e muito atencioso, deixando sempre sorrisos e saudades e sorrisos onde  passavas .

Eu sinto saudades desse jeito que me fazia rir e me deixavas desarmada quando me convencias a fazer algo que eu não queria.

E aqui debruçada nessa janela que revejo essa pequena historia, tao linda e tao rica de risos e gargalhadas,  que escreveste na minha vida.

Saudades meu querido Paixão