Estupefacta


As vezes distraio-me com o tempo onde vivo freneticamente a vida sem paragens que me deem tempo e debruçar-me nesta janela onde tantas vezes ri, desabafei e chorei. Ao rever os caminhos que percorri e perdi e nos atalhos onde me achei .



Hoje parei diante desta janela que há muito tempo estava fechada e apeteceu-me desenhar palavras nessas vidraças empoeiradas pelo silencio das teclas mudas do meu computador .



Saber que conheço pessoas , ou que as julgo conhecer e de repente ler comentários, nas redes sociais, faz-me confusão , como é que num momento, são uma coisa e quase no mesmo instante são outra coisa? Mudam de opinião , mais rápido do que quem muda de camisa,.

Falta de carácter? Ou simplesmente agradar por agradar ?



Fico estupefacta, com pessoas assim , onde o sim e o não é (nim )e o preto e o branco é simplesmente ( cinzento ) para agradar a gregos e a troianos.



Mas depois seja como for sabem usar muito bem de meios para atingir os seus fins





Lamento que a maioria das gentes se comporte assim.



E fico-me por aqui debruçada na minha janela

Sol no inverno



Um dia de inverno ensolarado mas frio , onde a luz intensa me faz semicerrar os olhos na tentativa de olhar mais além de mim e de ti, olhar para alem de nós envolvidos por estes afetos inimagináveis de existir entre dois jovens sexagenários .

São sentimentos que nos aceleram o coração num ritmo delicioso e belo quando nossos pensamentos se atrevem a voar para lá das distancias e como dois jovens sonhamos o dia de amanhã.

Fechei os olhos nesse instante para estar contigo a sós, no meu pensamento, para ouvir os som das tuas palavras encostada ao teu peito e pedir a Deus que me deixe viver para amar a vida que te pertence por que sem ela já não saberei viver.


O sol brilha mais, neste momento

Janela



Quanto tempo ausente desta janela. Que saudade ao ver-me aqui diante dela, deste parapeito, lugar imaginário, onde espreito o mundo e me perco em lugares que só existem nos meus sonhos.

O Sol delirante, entrou no meu recanto, veio doido de saudade pelo tempo que estive ausente e em jeito de caricias aqueceu-me até me deixar relaxada, para conversar.

Não foi por esquecimento que me ausentei, nem por falta de tempo para sonhar, mas porque o meu coração se apaixonou e eu tive que dar-lhe todo o tempo que ele precisava, pois foi complicada a luta entre mim e eu.

Foi difícil aceitar que aos 60 anos poderia amar e ser amada , que poderia ser capaz de fazer e ser tanta coisa que julguei ter perdido , que a vida voltaria a ter cores iguais às da primavera e que é bom sonhar com o amanhã.

ELVAS , CIDADE DA MINHA PAIXÃO


Acordei e olhei o dia que me espreitava lá na janela onde a brisa noturna entrara para refrescar a minha noite.

Ainda era cedo e deixei-me ficar envolvida em pensamentos , fruto de vivencias do dia a dia, de comportamentos interesseiros que ora dizem mal até a desonra, ora passam a bajular ao ouvir uma qualquer promessa. Tal qual como se abana um naco de carne fresca a um cão, para que ele fique dócil e domável.



Vieram-me aos ouvidos excertos de algumas passagens, que nesta altura se transformaram em completas manifestações de adoração e submissão ao que antes foram criticas despudoradamente maldosas.



Memória curta ? Dividas de favores passados ? Rabos presos ?

O que seja, mas que num acenar de mão, mudaram de opinião a favor do que não se concordava.



Pesadelo que não tenho, e a minha consciência deixa-me adormecer tranquila e acordar descansada, mas faz-me pensar, na pobreza de mentalidades que andam por aí e que a troco de nadas e deixam convencer por falsas promessas.

Deslumbrante


Acordei meio estonteada pelo muito que dormi neste tempo em que me ausentei da janela onde os tantos acontecimentos se inventaram tantos palcos se montaram e desmontaram e eu não vi as senas se desenrolarem, não critiquei nem aplaudi



Apática e distante daquele frenesim que me sobressalta os sonhos aventureiros que me arrastam para lugares inimagináveis, tão fantásticos e quase tão riais no meu imaginário , encostei a

cabeça à vidraça e senti um frio queimar-me a pele e afastei-me, meus dedos experimentaram rascunhos no vidro embaciado pelo meu hálito, enquanto espreito ao mesmo tempo que passou para la da minha janela durante a minha ausência .



O dia está cinzento , cheio de nuvens carregadas de negrura que de vez em quando descarregavam tanta água transformando a estrada diante da minha janela parecer riacho com grandes levadas pondo os carros estacionados em perigo.



De vez em quando o céu é rasgado por um relâmpago seguido de outro que arrasta consigo um rugido distante enquanto a chuva vai caindo e o vento sopra mais forte . Não sei quanto tempo fiquei ali olhando aquele quadro de cores cinzentas, onde tudo se movia

a pomba

Hoje obriguei-me a escrever qualquer coisa, que me acorde para a vida e me faça ir até há minha janela, sair desta espécie de apatia onde me escondo até sentir pena de mim.

Sacudi a manta onde me enrolei e espreitei para la da chuva num céu cinzento de inverno onde as temperaturas frias nos fazem doer até aos ossos. Aconcheguei-me no casaco de malha quentinho e encostei-me, embaciando as vidro com o vapor quente da minha respiração, com o dedo desenhei um coração e atravessei-o com uma seta e fiquei ali olhando aquele desenho meio naífe a despenhar-se lentamente ate ao parapeito da janela.

A chuva tornou-se mais intensa , os pingos pareciam pedras a bater contra as vidraças, de vez enquanto um rugido vindo de longe soava pelos ares até aos meus ouvidos, quando uma pomba veio abrigar-se no beiral da minha janela. Ela olhava para mim, mas perante o meu ar estático, não se assustou e eu sorri para ela e para mim.

Uma pomba é símbolo de paz , talvez a paz que eu precisava, mesmo em tempo de intensas trovoadas e de chuva, escancarar a minha janela, e gritar o que me alegre, o que me entristece e o que me diverte.
O chuva parou, a pomba sacudiu as asas olhou para mim, rodando a cabeça, como as aves fazem, e ao ver a minha cara rasgar um sorriso voo .

E eu fiquei a pensar